New Music International Festival 2013. De 30/11 a 08/12.
Novas Frequências 2013

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Ingressos Novas Frequências 2013

Amanhã, terça-feira 26/11, começa a venda para os shows, e para facilitar sua vida, fizemos um resumo de tudo que você precisa saber sobre ingressos para as 3 partes do festival: Festa, Talking Sounds e Shows.

SHOWS @ OI FUTURO IPANEMA – 03/12 à 08/12

Os ingressos custam R$ 20 a inteira e o esquema de compra será o mesmo dos outros anos:

Vendas na bilheteria do Oi Futuro Ipanema – começam dia 26/11 as 15h às 21h – cota de 2 ingressos (por dia) por pessoa:

Endereço: Rua Visconde de Pirajá, 54
Capacidade: 92 lugares
Classificação: Livre
Informações: (21) 3201-3010

As vendas também serão feitas pela internet (a partir das 15h do dia 26/11)  no site – http://www.ingressorapido.com.br/ -  segundo informações do Oi Futuro, só serão disponibilizados 10 ingressos por dia para a compra online.

Os shows:

03/12, Terça-Feira, às 21h
- Demdike Stare (Inglaterra)

04/12, Quarta-Feira, às 21h
- David Toop (Inglaterra) com participação especial do Chelpa Ferro (Brasil)

05/12, Quinta-Feira, às 21h
- James Ferraro (Estados Unidos)

06/12, Sexta-Feira, às 21h
- São Paulo Underground (Brasil/ Estados Unidos)

07/12, Sábado, às 20h
- Gimu (Brasil)
- Stephen O’Malley (Estados Unidos)

08/12, Domingo, às 20h
- Babe, Terror (Brasil)
- Tim Hecker (Canadá)

FESTA @ LA PAZ – 30/11

Para poder curtir a nossa FESTA no dia 30/11, é só você confirmar presença evento no Facebook que seu nome já vai estar na lista de desconto:

Ingressos:
R$ 30,00 (lista amiga confirmando presença no evento somente até meia-noite);
R$ 40,00 (lista amiga confirmando presença no evento);
R$ 50,00 (na hora)

La Paz
Endereço: Rua do Rezende, 82
Horário: 23h
Classificação: 18 anos
Informações: (21) 2509-2403 // lapaz@lapazclub.com.br

Line up:
Lee Gamble (Inglaterra)
Heatsick (Inglaterra)
Miles (Inglaterra)
Fudisterik (Brasil)
Paulo Dandrea (Brasil)

TALKING SOUNDS @ POP – 01/12 à 02/12

Já o TALKING SOUNDS, que rola no POP entre os dias 1 e 2 de dezembro, as inscrições podem ser feitas pelo site do POP e custam 15 reais o dia.

As inscrições podem ser feitas nos seguintes links:

01/12 - http://bit.ly/1cmhFqB
02/12 - http://bit.ly/1bDcx0i

Quando: dias 01 e 02 de dezembro
Onde: POP (Polo de Pensamento Contemporâneo)

Dia 01 de dezembro
- 16h00 – Heatsick (Inglaterra)
Apresentação: Chico Dub
Mediação: Bernardo Oliveira e Fred Coelho
Convidado especial: Tomás Pinheiro

- 18h00 – Lee Gamble (Inglaterra)
Apresentação: Chico Dub
Mediação: Bernardo Oliveira e Fred Coelho
Convidado especial: Ruy Gardnier

Dia 02 de dezembro
- 18h00 – Demdike Stare (Inglaterra)
Apresentação: Chico Dub
Mediação: Bernardo Oliveira e Fred Coelho
Convidado especial: Ruy Gardnier

- 20h00 – David Toop (Inglaterra)
Apresentação: Chico Dub
Mediação: Bernardo Oliveira e Fred Coelho

POP
Endereço: Rua Conde Afonso Celso, 103 – Jardim Botânico
Entrada: R$ 15,00
Capacidade: 65 lugares
Classificação: Livre
Informações: (21) 2286-3299 // (21) 2286-3682
www.polodepensamento.com.br


“Som e Futurismo” por Vivian Caccuri

Depois de alguns anos entre ouvir, fazer música experimental e também escrever sobre ela, comecei a acreditar que sintetizar um som e combiná-lo com outros, ao vivo ou gravando, é uma prática que sempre quer apontar para o futuro. E ainda que todas as ondas nostálgicas de usar tecnologias obsoletas ou emular estilos e texturas “passadistas” queiram sugerir que a música lida com o que já foi, acredito que a música experimental, ainda que por meio do vintage, tem um potencial futurista difícil de ser desfeito.

“Música experimental”. Sei que é uma forçação de barra tremenda colocar em um mesmo território Chelpa Ferro e Matana Roberts, La Monte Young e Ariel Pink. São preocupações sonoras diferentes demais para pensar que existe um mínimo denominador comum musical que conecte esses artistas. Pensar na pedra fundamental de John Cage, que popularizou o termo, ajuda em partes para entender do que ela se trata: a música seria experimental ao abraçar a “imprevisibilidade” das combinações dos timbres e ritmos, e criando situações onde o acaso sonoro surgir, as dinâmicas apareceriam por puro acidente. Esta aí a nossa gênese: a de separar a música de um roteiro pré-definido, liberar os sons para que se encontrem sem tanta obsessão por um estilo musical. É a música ocidental redescobrindo o espírito de aventura. E como consequência da maior liberdade e espírito de aventura, os sons e combinações desagradáveis passam a fazer parte do pacote do que é musical. E assim, desde os anos 50, debaixo do guarda-chuva do “experimental”, muitas outras práticas foram sendo colocadas, coisas próximas ou bem distantes do que motivou Cage, como drones, experimentações puramente vocais, instrumentos preparados ou inventados, espacialização do som gravado ou ao vivo, mistura com a música étnica, ruídos, alargando ainda mais o leque de sons musicáveis.

E demorou, mas chegou. O espectro de frequências da música mais comercial que toca no rádio é muito mais amplo do que era há trinta anos. Ouça só os hits “On Sight” de Kanye West, as bases de “Beez in The Trap” de Nicki Minaj e a barulheira de um show da Beyoncé, muito mais dissonante e frenético que muitas bandas de metal. De certa forma dá para culpar o software: efeitos e distorções ficam na moda, refletem um zeitgeist de momentos econômicos e mudanças estruturais. Lembre do autotune, que apesar de abusado e superutilizado soa ok no alto-falante mais precário. Então dá para culpar o hardware também. A música comercial precisa ser “curtível” no Youtube, Facebook, boombox do celular e do laptop e ainda poder ser espetáculo quando vira show. Então, o ruído e a dissonância podem ser uma saída para criar uma memória coletiva para esses artistas-titãs.

É aqui que a música estritamente comercial e a experimental mais se distanciam: a música popular existe sempre “para” alguma coisa. Música para dançar, para chorar, para ostentar, para esquecer a namorada, para dirigir, para rebolar, para lembrar dos amigos, para exercitar a ambição ou a introspecção, para jantar, para comprar, para quebrar tudo, etc. Por outro lado, a música experimental dificilmente é para alguma coisa além dela, porque ela é resultado de uma experiência, um acidente, um encontro de pessoas ou de processos com instrumentos e ferramentas. Sem a obrigação de atribuir função à sua música, o músico experimental ensaia aquilo que vem pela frente e vislumbra o futuro.

Já diz Attali na “bíblia do ruído” Noise: “o som é profético por ser imaterial e o ruído de uma sociedade mostra quais serão os conflitos estruturais e crises que ainda virão, já que a música reflete como uma sociedade funciona.” Se nos anos 90 muitos achavam que o futuro era ter acesso a todas as obras de todos os artistas, softwares, ferramentas, manuais de instrução e maneiras de trabalhar o som com outras pessoas à distância, então talvez Attali esteja certo. Mas bom mesmo é nunca parar de se impressionar com o corpo humano e com o que ele pode fazer: ser futurista é possível mesmo sem surfar nas últimas tecnologias.

Vivian Caccuri (1986) é artista e mora no Rio de Janeiro, trabalhando com performances, instalações sonoras, objetos e caminhadas. Vivian é mestre em Estudos do Som Musical pela UFRJ e escreveu seu primeiro livro sobre áudio na Universidade de Princeton em 2012.


“Ouro do Porvir” por Ruy Gardnier

São bem evidentes as relações entre a música e a alquimia. Ambas dependem, num nível mais primário, da combinação de elementos para funcionar, simultaneamente ou na duração, e o objeto último, supremo, consiste na transmutação dos materiais — do metal vagabundo ao ouro ou, em expectativa mais modesta, de uma consecução de sons à construção de uma sensação, de uma experiência, de uma atmosfera. Ainda que isso seja válido para a música como um todo, a alquimia torna-se uma metáfora muito mais apta e urgente quando uma geração de músicos, ao invés da produção física dos sons — o toque numa tecla, numa corda, um sopro, uma emissão vocal —, trabalha tendo como matéria prima uma biblioteca sonora e as possibilidades de manipulação infinita desses materiais, seja por operações de hardware, seja pela sobreposição de duas ou mais amostras sonoras, seja pela própria evidência da deterioração dos itens sonoros sendo carcomidos pelo tempo, literalmente uma química do detrito.

Esses procedimentos todos estão no âmago de um tipo de alquimia sonora que tem papel vital na produção musical contemporânea, e que ao mesmo tempo é tão difícil de definir, de rotular: dark ambient, hauntology, hipnagogia, industrial ambient são todos termos incapazes de dar conta do processo de produção (do ponto de vista do gesto criador), dos objetivos (do ponto de vista das intenções dos artistas) e das recompensas (do ponto de vista do público) que estão em jogo quando se fala dessa música que é extremamente atmosférica e evocativa mas que não prescreve nenhum objeto muito preciso: as peças de Leyland Kirby com seu nome próprio ou como The Stranger prefiguram em seus títulos mundos desolados ou em dissolução, mas a música em si mesma revela “apenas” uma suntuosidade grave em meio a chiados pregnantes e melodias desgarradas; os samples que Lee Gamble extrai de seus cassetes de jungle produzidos ou coletados entre 1992 e 1996 e posteriormente processados só remetem muito longinquamente ao efusivo ritmo britânico do começo dos anos 90, preferindo reter e “loopar” as estases e os momentos de calmaria, ao contrário do breakbeat característico da época, o “amen break”; o duo Demdike Stare colige e processa sonoridades que vão do looping de canto ritual africano e da apropriação do drum’n’bass sobrepondo-os a timbres de música eletroacústica ou instalando-os em paredes de chiado ou registros de campo; Philip Jeck faz de suas vitrolas portáteis verdadeiros catalisadores alquímicos que reproduzem/deformam a mais banal das matérias primas, discos de vinil comuns.

O objetivo disso tudo é criar música ambiente? Não. É criar uma sonoridade pesada e soturna? Nem sempre. É remeter a um passado mais prodigioso? Não. Há nessas músicas, sim, um trabalho em que a bagagem cultural e a memória — talvez mais arquetípica do que cultural — exercem um papel decisivo, mas a proposta vai muito além da remissão e da sensação de nostalgia.

O que há de fundamental nessa música e que une todos esses artistas — e mais uma penca que não cabe aqui citar — é a busca por uma sonoridade que possa provocar a sensação de maravilhamento diante de algo intensamente estranho, uma entrada numa caverna escura, uma viagem a um país desconhecido ou o flerte com a atemporalidade absoluta: em resumo, tudo que remete a uma alteridade brutal com o presente e faça surgir paisagens sonoras fora do tempo. No mundo de hoje, em que vivemos com um excesso de passado (a mediateca do globo a um clique de distância) e em que o presente intensivo do consumo tecnológico substituiu as aspirações futuristas da sociedade, cabe à música de biblioteca, à música feita a partir da matéria prima do próprio passado, evocar novas aspirações de futuro, de desconhecido, de nova dimensão a ser rompida (para usar vocabulário da ficção científica, essa grande criadora de imaginário futurista no século XX). E eles nos dizem: o futuro não é a assepsia dos Jetsons, é a mestiçagem e o entrecruzamento desavergonhado de itens de culturas antagônicas, é o uso do ruído do material como item expressivo, o arquivamento e o colecionismo como gestos ativos e criativos. Tudo para nos raptar das percepções intramundanas e nos fazer vislumbrar um outro mundo através de psicodelia via curto-circuito temporal ou sobreposição referencial. Ao ouro!

Crítico e pesquisador. É criador das revistas eletrônicas Contracampo e Camarilha dos Quatro, trabalha como crítico de cinema para o jornal O Globo e como pesquisador do acervo audiovisual do Circo Voador. Editou catálogos para mostras retrospectivas dos cineastas John Ford, Samuel Fuller, Abel Ferrara, Rogério Sganzerla e Julio Bressane, entre outras

 


“Escutas Contemporâneas” por Bernardo Oliveira

Ouve-se o fraco rumor das cigarras. Depois os trinados de uma cotovia, depois o canto do pássaro zombeteiro. Alguém ri, uma mulher soluça convulsivamente. Um homem solta um grande grito: ‘Estamos perdidos!’ Uma voz de mulher: ‘Estamos salvos!’ Gritos explodem em toda parte: ‘Perdidos! Salvos! Perdidos! Salvos!

(MILLER, Henry, 1945, em DELEUZE/GUATTARI, 1997, p. 113)

Um dos grandes filmes brasileiros recentes, O Som ao Redor opera a transposição das relações de poder do Brasil arcaico para o moderno, identificando a desigualdade como um liame entre dois universos aparentemente destacados. O som foi o meio escolhido pelo diretor Kleber Mendonça para ressaltar a violência, afinal “ele é uma prova de vida, um elemento mal-educado que entra pela janela e incomoda”. Uma saraivada de latidos, a cacofonia dos eletrodomésticos, o estrondo causado por uma queda d’água: a presença multifária do som, com sua capacidade de nos cercar e envolver, manteria conosco relações de constrangimento e liberação, impactando nossos sentidos como nenhum outro fenômeno.

Pensamento similar ao que desenvolve David Toop em seu último livro, sugestivamente batizado como Sinister Resonance (2011). Para ele, o som é um “intruso” cuja referência transita entre o mundo material e o mundo imaginário. Toop nota que, nos filmes de suspense e terror (particularmente no aterrorizante The Haunting, de Robert Wise), o som de uma porta rangendo ou um dedilhado de harpa antecipam um ambiente impessoal de tensão e angústia. O som é portador de uma qualidade “espectral”, que, por fugir à referência visual, causa desorientação, gerando afetos muitas vezes desconfortáveis. “As palavras voam, a carta escrita permanece. O som é ausente, enganador; fora do raio de visão, fora de alcance. Quem está ai? O som é vácuo, medo e admiração” (Toop, 2011).

Por outro lado, ao invés de domesticar o som através de consonâncias agradáveis, a música contemporânea parece acolher o medo e a instabilidade decorrentes de uma experiência sinistra. Instaurando seu próprio território sobre esse “oceano sonoro”, a música contemporânea incorpora uma infinidade de sons outrora considerados não-musicais, evidenciando que nossa relação com a escuta e, particularmente, com a música se encontra em franco processo de mutação.

Na arte sonora, “o som (em oposição às relações de altura (pitch) e ao sistema harmônico) pode ser o princípio organizador da atividade musical”, escreve Toop em um artigo de 1998. O século XX é rico em exemplos nos quais o som ao redor serve como fonte e critério para a composição: a música concreta, eletrônica, as gravações de campo, etc. Mas em interação com as ferramentas digitais, são incorporados o burburinho urbano, os gadgets eletrônicos, o som do trovão, o ruído das máquinas, sístole e diástole gravadas pelos aparelhos de ecocardiograma, sons inauditos produzidos por interações infinitas entre equipamentos. Na medida em que nos encontramos imersos no clangor total de todos os sons, o som adquire uma qualidade biológica que infecciona todos os planos de realidade.

Que tipo de abertura para a criação artística é possível depreender dessa percepção? O compositor americano Richard Maxfield (1927-1969) nota que o aparato técnico da música eletrônica torna o compositor autônomo em relação ao intérprete e ao instrumentista: “E nesse processo ele ganha todo um continuum de som para sua paleta ao invés de se limitar a invenções acústicas com alguns séculos de idade e a agilidade com que ele pode ser ‘curvado’, ‘arrancado’, ‘espancado’ e ‘queimado’”(Maxfield, 1963). A música se torna o resultado de procedimentos singulares de violentação e mestiçagem do som, capazes de prover uma diversificação da percepção ordinária do tempo, do espaço e dos objetos materiais e imateriais. Por exemplo, o tempo cronológico é abalado pela evocação de uma memória atravessada pelo porvir, como ocorre nos experimentos de James Ferraro e Lee Gamble. Em relação à multiplicação de graves soturnos nos trabalhos de Demdike Stare, Gimu e Stephen O’Malley, podemos remetê-la à captação imaginária do som da terra que revolve, o simulacro das frequências sonoras das profundezas.

Por outro lado, podemos inferir dessa situação que mesmo os “instrumentos tradicionais” — acústicos e elétricos — podem ser explorados de forma completamente independente daquela prescrita pelos ditames acadêmicos. Com relação a isso, Toop lembra do jovem estudande Claude Debussy tocando “impressões pianísticas dos barulhos de rua de Paris.” E podemos citar os trabalhos do São Paulo Underground e de Tim Hecker como expressão desse processo de miscigenação e dilatação da sonoridade, que resulta em uma concepção harmônica fraturada pelos ruídos digitais.

Um acercamento possível do termo “novo” na expressão “novas frequências” reside, assim, na ampliação da percepção em relação à estranha presença do som. Trata-se de uma intuição renovada, para além de certas concepções do que é ou deixa de ser “a música”. Também não se reduz às novidades musicais ou ao equívoco termo “música experimental”. Não há garantias de que categorias como “belo” e “sublime” possam dar conta desse contexto, pois a consciência imersiva implica a exposição ao perigo — “definindo a noise art imersiva como uma experiência limite de saturação” (Nechvatal, 2011). Ao assimilar parcialmente uma ecologia sonora saturada e em crescimento exponencial, as escutas contemporâneas vem sedimentando as plataformas para uma abertura perigosa e promissora.

Professor de filosofia da Faculdade de Educação/UFRJ, crítico e pesquisador, editor do blog Matéria (http://materialmaterial.blogspot.com), coprodutor do Quintavant, evento de música de vanguarda que ocorre na Audio Rebel (Botafogo-RJ).


Apresentando: Babe, Terror

Animal Collective, No Age, Tv On The Radio, Bodies Of Water, Beach House, etc. Essas são algumas das bandas que o projeto do paulista do bairro de perdizes Cláudio Szynkier, mais conhecido como Babe, Terror, já foi comparado.

Babe apareceu pro mundo quando foi tema de um post no fim de junho do crítico de música da New Yorker Sasha Frere-Jones, para quem contou que deu início ao projeto em 2008, num intuito de “atender e dar sentido à esses estágio de sua vida”. Daí angariou fãs como o crítico do Guardian, Alan McGee; o Site Pitchfork; a revista Uncut; e Lucio Ribeiro do Popload.

Descrito por McGee como “a volta barulhenta da Tropicália”, Babe tem ecos do novo folk e lo-fi americanos, com a mesma atmosfera das canções de gente como Ariel Pink e James Ferraro no começo de carreira. Hoje os termos que usaríamos para definir Babe seriam: “hypnagogic pop” e “Hauntology”. Suas músicas soam como fitas cassetes antigas, danificadas e mofadas que quando tocadas entram em loops eternos e criam texturas sonoras estranhas. O Jornalista Lucio Ribeiro descreve da seguinte forma o som de Babe:

Para resumir, imagina uns zumbis de “Walking Dead” se escondendo nas catacumbas de um clube de Berlin e de repente encontram umas picapes e tentam tocar, com mãos e mexendo em todos os botões ao mesmo tempo. Sairia, talvez, um som tipo o que o Babe, Terror faz.

Apesar de ser cada vez mais reconhecido no mercado exterior, (gente como four tet já remixou o cara) Babe não é muito conhecido por terras brasileiras. Não é a toa que, só tocou “uma ou outra vez” em SP e no Rio de Janeiro esse será o seu primeiro show. Agora é esperar pra ver qual mistério Babe, Terror está guardando para sua apresentação no Novas Frequências.

Babe, Terror toca dia 08/12 no Oi Futuro Ipanema


O que é o Talking Sounds?

O Novas Frequências está cheio de novidades em 2013. Além dos já tradicionais shows no Oi Futuro Ipanema, o festival apresenta esse ano uma festa de abertura e o “Talking Sounds”, uma série de debates com artitstas do festival. Chico Dub, curador do festival, explica esse novo braço do Novas Frequências:

Praticamente todas as atrações que passaram pelo festival trabalham com conceitos teóricos e códigos específicos em seus lançamentos. Sendo que muitos deles também desenvolvem outras atividades complementares ou em paralelo à música. É preciso uma bagagem cultural significativa para transitar por múltiplas plataformas. Para dar conta desse trânsito, vamos abrir espaço para que esses multicriadores revelem suas ideias e processos criativos através do Talking Sounds.

Realizado em parceria com o Transform, o programa de artes do British Council, o Talking Sounds é um desdobramento do Novas Frequências que tem como mote discussões teóricas sobre questões ligadas à música, ao som e ao comportamento contemporâneo. Serão 4 bate-bapos com os britânicos: Lee Gamble, Heatsick, Demdike Stare e David Toop.

Sobre o evento, Lucimara Letelier, Diretora Adjunta de Artes British Council, diz:

“Apoiar as discussões na produção musical contemporânea a partir da troca de experiências de britânicos e brasileiros nesta área, vai de encontro a um dos principais objetivos do programa de artes do British Council, o Transform, que é promover inovação no Brasil e no Reino Unido por meio de projetos colaborativos como os que podem nascer no Novas Frequências.”

A idéia do Talking Sounds é ser uma conversa quase que informal, uma troca de experiências entre o público e artista. Fred Coelho, um dos mediadores do evento, vê o Talking Sounds como uma subversão a idéia de um artista como “evento midiático”:

“Em um tempo em que a presença do artista torna-se muito mais um evento midiático do que uma oportunidade do espectador saber um pouco mais sobre o seu trabalho, o Talking Sounds subverte isso e permite que o público possa ouvir mais sobre o processo criativo e as questões que envolvem a obra do convidado.”

Ele completa dizendo que:

“a proposta é conseguirmos reproduzir um ambiente horizontal de conversas, em que artistas, comentadores e público pensem juntos os processos e projetos na obra de cada um. A ideia é termos uma experiência em que som, imagem e pensamento sejam acessados ao mesmo tempo, em um ambiente propício para que tais trabalhos relacionados à proposta curatorial do Novas Frequências ganhem maior ressonância, tonando-se, como o título sugere, uma conversa sonora.”

Já Bernardo Oliveira, o outro mediador dos Talking Sounds, acha que a questão da “identidade” e a de performance passam atualmente por grandes mudanças:

“A questão da ‘identidade’ na música atual passa por uma mutação radical. O autor não se resume a obra. A identidade pública de um artista é desdobrada em outras identidades, máscaras e codinomes. A performance, por outro lado, se desvincula do formato da ‘apresentação’ e se torna um jogo, que pode adquirir tanto a forma de uma exposição técnica e conceitual, como a de um dispositivo dramático-teatral.”

Ainda segundo Bernardo, essas mutações impactam diretamente a música contemporânea:

“Uma das ideias iniciais que inspirou o Talking Sounds foi a noção de que a música hoje extrapola o domínio do som, se desdobrando em outros meios de expressão, uma infinidade de atividades e opções singulares. O Talking Sounds vai combinar bate papo e audição coletiva, explorando as ideias, técnicas e procedimentos de produção dos autores. Os artistas escolhidos têm muito a dizer nesse sentido.”

Além de Fred e Bernardo, o Talking Sounds contará com as participações de Ruy Gardnier (Faye’s Book/ Camarilha dos Quatro) e Tomás Pinheiro (Entretenedor), ambos ajudando a trazer mais questionamentos e temas para as conversas.

É nesse espírito de troca de idéias que o Talking Sounds acontece nos dias 1 e 2 de dezembro no POP (Pólo de Pensamento Contemporâneo) no Jardim Botânico.

Progamação:

Dia 01 de dezembro

- 16h00 – Heatsick (Inglaterra)
Apresentação: Chico Dub
Mediação: Bernardo Oliveira e Fred Coelho
Convidado especial: Tomás Pinheiro

- 18h00 – Lee Gamble (Inglaterra)
Apresentação: Chico Dub
Mediação: Bernardo Oliveira e Fred Coelho
Convidado especial: Ruy Gardnier

Dia 02 de dezembro

- 18h00 – Demdike Stare (Inglaterra)
Apresentação: Chico Dub
Mediação: Bernardo Oliveira e Fred Coelho
Convidado especial: Ruy Gardnier

- 20h00 – David Toop (Inglaterra)
Apresentação: Chico Dub
Mediação: Bernardo Oliveira e Fred Coelho

As inscrições já estão abertas, custam 15 reais (o dia) e podem ser feitas nos seguintes links:

01/12http://bit.ly/1cmhFqB
02/12http://bit.ly/1bDcx0i


Apresentando: São Paulo Underground

O SP Underground nasce do encontro entre Rob Mazurek, cornetista americano e um das principais referências na cena de post Rock/Jazz Moderno de Chicago; e Mauricio Takara, baterista e percussionista paulista conhecido pelo M. Takara 3 e pelo Hurtmold; e mais tarde o duo ganha a companhia fixa de Guilherme Granado (percussão, eletrônicos). Com 4 discos lançados, o SP Underground faz uma mistura sonora de jazz eletrônico, minimalismo, samba, bossa nova, tropicalismo e por ai vai. A banda ganhou reconhecimento mundial depois de seu segundo CD, “The Principle of Intrusive Relationships”, entrou na lista dos 50 melhores discos lançados naquele ano da revista inglesa The Wire.

Já o terceiro disco da banda, ,“Três Cabeças Loucuras”, foi votado pela Time Out Chicago como um dos tops 10 disco de jazz de 2011 e é considerado a obra-prima do trio. Fazendo uma mistura híbrida de Tropicália, Psicodelia, improvisação, eletrônica e música concreta, o disco, “revela um espectro de som caleidoscópico que puxa os limites de cada estilo, criando um novo, inclassificável amálgama no processo.” diz o site All About Jazz.

O trabalho mais recente do Trio é o elogiado disco “Beija Flors Velho e Sujo”, o disco “mais acessível” (mesmo que ainda não sendo) da banda até hoje. As composições deixam um pouco de lado a esquizofrênica característica dos outros CDs, e focam em sons mais globais e até mesmo pop. Isso pode ser notado na canção “The Love I Feel For You Is More Real Than Ever”, faixa que foi escrita para ser tocada no casamento de Mazurek.

O disco ainda conta com três homenagens: “Ol’ Dirty Hummingbird”, tributo à Ol’ Dirty Bastard, do Wu Tang Clan; “Arnus NusAr”, reverenciando Sun Ra; e a última faixa do disco, “Taking Back The Sea Is No Easy Task”, citando “Suíte de Pecador” de Dorival Caymmi.

Com alguns anos de estrada, o SP Underground já se apresentou mundo afora e esse ano fez um show inesquecível com o mestre Pharoah Sanders na Virada Cultural de SP. Se depender do que ouvimos por ai das apresentações ao vivo da banda, ela tem tudo para entrar no ranking de melhores do festival até hoje.


Apresentando: Fudisterik e Paulo Dandréa

É dificil falar de Fudisterilk sem falar de Paulo Dandréa e vice versa. Por isso, decidimos apresentar o dois juntos. O primeiro é Ricardo Cabral, mineiro de 38 anos que reside na “terra onde a galinha cisca pra frente”, também conhecida como Matias Barbosa. Já o segundo é Paulo Dandréa, paulistano e dono de uma já extensa carreira como baixista das bandas Tarja Preta e Som Ambiente.

Dandréa começou a fazer música eletrônica em 2001, quando, diz ele, “descobriu o computador”. Já fudisterik, instalou o FL Studio em seu computador e dai começou a fazer algumas bricandeiras. Mas foi em 2011, depois que os dois começaram a se falar via internet, que Dandrea convenceu Ricardo a migrar pro Ableton Live e o ensinou as regras básicas de produção.

Dai em diante, os dois vem postando nos soundclouds da vida pirações psicodélicas eletrônicas recheadas de humor. Dandréa já lançou um disco: Pineapple, Fudisterik acumula quase 40 faixas em seu soundcloud e no começo desse anos os dois entraram para o terceiro volume da Hy Brasil,  coletânea criada pelo nosso curador Chico Dub. Essa identificação musical de um pelo outro é tão grande que em 2011 criaram um projeto em conjunto chamado Detuned Portable Studio.

Os dois tocam pela primeira vez no Rio de Janeiro na nossa festa, um encontro que tem tudo para ser no mínimo curioso e engraçado.

Ouça a playlist feita por Paulo Dandréa só com música deles dois:

- Fudisterik e Paulo Dandréa se apresentam dia 30/12 no La Paz Club


Apresentando: Gimu

Quando pensamos de música brasileira, lembramos de samba, carnaval, praias, canções ensolaradas… Mas não são essas as coisas que vem a mente quando ouvimos os drones ambientes de Gimu. Criado pelo capixaba de Vila Velha, Gilmar Montes, Gimu produz suas massas sonoras pesadas, massantes e repletas de escuridão no computador e as coloca em plataformas como Bandcamp, onde contabiliza na sua conta uma lista com 18 lançamentos entre 2010 e 2013. Além do digital, Gimu já tem lançamentos físicos para selos britânicos (Heat Death, Twisted Tree Line, Childrenplay, Rural Colours) e para o brasileiro Toc Label (o cassete all the intricacies of an imaginary disease).

Mas ser artista de Drone no Brasil não é fácil, Gimu não é falado nos blogs e muito menos na grande mídia. Mesmo assim, o cara já acumula mais de 20 mil seguidores no Soundcloud, o que prova que sua música tem sim afetado muita gente. A principal fonte de notícias sobre o que tem feito Gimu, é o site Floga-se , que nunca economiza nos elogios. Em entrevista ao site, Gilmar foi questionado porque suas músicas não contem batidas:

Ah, batidas complicam tudo. Elas são por demais ditadoras, definem tudo. Não quero batidas. Não quero que um beat tire a atenção de todo o resto. Gosto de pensar que minhas canções são uma massa sonora que vai ganhando contornos diferentes, novas formas, à medida que o ouvinte é sugado para dentro delas. Batidas não deixariam isso acontecer.
Além dessa idéia “massa sonora”, podemos usar outras palavras para descrever sua música: Textura, ambiência, dark, gélido, pulsante, e por ai vai. Como a maioria das canções de Drone, Gimu faz músicas longas, contemplativas e cheias emoções diferentes.

Abrindo para o Stephen O’Malley, Gimu fará no Novas Frequências seu primeiro show no Rio de Janeiro e mostrara que Drone de qualidade pode sim ser feito no Brasil. O sábado promete ser um dia bem nefasto.

- Gimu se apresenta dia 08/12 no Oi Futuro Ipanema


Apresentando: Demdike Stare e Miles

Demdike Stare é uma dupla obcecado por uma coisa: terror. Suas músicas são trilhas de filmes de terror que nunca existiram; suas capas de disco são peças assombradas e surrealistas; e seus shows trazem todo um trabalho de imagens feitas com filmes de terror antigos. Formado pelos ingleses Miles Whittaker, produtor que faz musica techno pesada e barulhenta e assina como MLZ ou Miles; Sean Canty, colecionador de discos e funcionário do selo Finders Keepers, famoso por pegar discos completamente antigos/obscuros e dar uma vida nova a eles; Demdike Stare é um duo que não faz música, mas sim bruxaria (como sugere o nome o duo que vem da famosa bruxa Demdike).

Essa inovadora combinação de Produtor + Colecionador é muito aparente na música da dupla, como bem falou o site Quietus:

Como colecionadores obsessivos de discos, eles usam a aquisição conhecimento musical como uma arma, escrevendo musical através de, camadas em camas, samples e barulhos de máquinas. Este processo de desenterrar velhas gravações e reanima-las em novas formas carrega consigo uma forma intrínseca de poder arcaico; ao passar os espectros presos nesses discos através de lentes modernas, Whittaker e Canty ressuscitam e recontextualizam os fantasmas do passado. Os resultados desviam de nuvens densas, quase impenetráveis de ambiência dark à faixas completas que poderiam funcionar em uma pista, alimentadas por um incessante baque cardíaco de um bumbo.

Lançando desde 2009 pelo selo Modern Love (mesmo de Andy Stott que tocou no primeiro Novas Frequências), o Demdike já acumula 4 discos e alguns EPs. Em 2013 o Duo vem lançando um serie de 12-inchs chamados “Test pressing”, feitos quase que de forma artesanal (com capas carimbadas a mão) e altamente colecionáveis, os Test Pressing, são EPs com 2 músicas onde o a dupla mostra novas caminhos para suas música e que deixam ainda mais tênue a linha entre o experimental e a música eletrônica de pista.

Todos essas idéias e conceitos são trabalhados nas apresentações ao vivo. Junto com a música, o dupla se apresenta na frente de um telão que passa imagens de filmes de terror antigos, o que fazem de seus shows ficarem ainda mais caóticos e assombrados. Como dizem os próprios, “Não ouça com as luzes apagadas.”

Falar de Demdike é também falar de Miles, ou Miles Whittaker, o lado produtor do duo. Com uma carreira extensa produzindo eletrônica evocativa, seja explorando o Dub Techno Atmosférico junto de Gary Howell no Pendle Coven ou fazendo dubstep com Andy Sttot, Miles sempre produz músicas singulares e perturbadoras. Em 2013, lançou mela Modern Love (selo de Andy Stott e Demdike) seu primeiro disco assinando como Miles. Em Faint Hearted, vemos Miles fugindo do lado conceitual de seus outros projetos e produzindo uma ode as suas influências musicais, Aphex Twin, Mika Vainio e Plastikma, são alguns dos nomes citados por ele.

Mas não se deixe enganar pela simplicidade do projeto, Faint Hearted não fica só no mero pastiche ou réplica barata desses artistas, ele pega essas influências e passa no já famoso “filtro dark” , deixando-as cheias de graxa de máquinas industriais antigas, lama e poeira. Assim,  dando uma nova e estranha vida a cada estilo.

- Demdike Stare toca dia 03/12 no Oi Futuro Ipanema e participa do Talking Sounds dia 02/03 no POP (Polo de Pensamento Contemporâneo).

- Miles toca dia 30/12 na Festa de Abertura do Novas Frequências no La Paz Club.